Pronunciamento do governador Fernando Pimentel na solenidade de lançamento do Fundo de Investimentos em Participação Seed4Science

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Boa tarde a todos e a todas!

Quero agradecer a presença de vocês nessa tarde chuvosa, tempo que pede recolhimento, e nós aqui fazendo uma cerimônia. Mas é uma cerimônia importante, pequena, singela, mas importante. Importante porque nós estamos, como disse o reitor Jaime Ramirez, consolidando a vocação de Minas Gerais para se tornar - já é, na verdade - o estado mais empreendedor do Brasil. Nós temos as melhores e mais vitoriosas iniciativas nesse sentido. Não só o Governo do Estado, aqui estou falando da comunidade acadêmica, da iniciativa privada, dos pesquisadores de Minas Gerais. Nós estamos, de fato, criando uma espécie de case para o que nós queremos que o Brasil todo seja. E o fundo era essencial. É dinheiro do Estado, mas é dinheiro, também, das instituições de fomento, de pesquisa, que vai proporcionar às startups, aos empreendedores jovens, especialmente os que estão saindo das incubadoras universitárias, aquele impulso inicial. Todos os que estão aqui sabem disso, que o grande gargalo não é lá dentro da incubadora, é depois, no momento em que você sai, vai para o mercado e tem dificuldades para obter um financiamento para alavancar aquilo que pode ser, no futuro, uma grande empresa, um grande negócio. E é esse gargalo que nós estamos enfrentando ao criar esse fundo, e eu agradeço mais uma vez a parceria com a Fundep, a Fundepar, a UFMG, os representantes das entidades que estão aqui presentes, são todos nossos parceiros.

Mas eu quero, antes de encerrar, dividir uma pequena reflexão com vocês. Para mim, em especial esse momento aqui, essa cerimônia é extremamente gratificante. Não é pelo fato de que eu também sou egresso da comunidade acadêmica, professor que fui da Universidade Federal de Minas Gerais. É porque eu tenho já, desde muito tempo, compartilhado com meus colegas de governo e, agora, aproveito para fazê-lo de público, uma reflexão que acho que é importante para nós. Os governos, na verdade, todos eles, independentemente de partido político ou de instância federativa, governam o passado. O que nós fazemos, aqui em Minas, é um esforço tremendo para tirar o governo do passado e voltá-lo na direção do futuro. Por que eu digo isso? Se você pegar o que o governo faz, 99% do tempo ele administra o passado. Você chega e herda uma folha de pagamento que, no caso de Minas é mais de 90% da arrecadação, toda ela é do passado. São servidores que prestaram concurso e estão aqui designados para suas funções, suas tarefas, para as políticas públicas, se elas existem, do passado. Você herda uma dívida que você tem que pagar, com a União, com o Sistema Financeiro que foi contraída lá atrás. Nós estamos agora, por exemplo, estamos pagando o programa de asfalto que duas gestões anteriores executaram, correto até, ligação asfáltica entre os municípios, mas nós estamos pagando agora. Ou seja, nós estamos pagando uma dívida que é do passado. Você herda precatórios, que são sentenças judiciais que impõe ao governo do Estado pagamentos em relação a processos do passado. Você herda obrigações para com a Previdência Social que restam acumuladas durante muito tempo, também do passado. Então, para o futuro, resta muito pouca coisa. Temos que fazer um esforço gigantesco, como o que fizemos com a Codemig, com o BDMG, para evitar que aquele pedacinho do Estado que ainda produz algum rendimento, que você tem alguma maleabilidade, se volte para o passado. E nós, então, o nosso esforço é evitar que isso volte para o passado e aponte para o futuro. No caso da Codemig temos conseguido com algum êxito e, no caso do BDMG, também. 

Nós estamos fazendo um esforço muito grande e, aí quero ser justo porque toda a equipe de governo é solidária com isso, e olha que não é fácil em um Estado que está contando moedas para fazer o pagamento do salário no fim do mês. Mas nós evitamos que o Estado lance mão desses recursos para fazer pagamentos do passado. Nós estamos apontando para o futuro com esse fundo e, como diz o reitor Jaime, a materialização daquilo que a gente disse. Nós queremos apontar Minas Gerais para o futuro. Aí eu lembro um verso bonito do Carlos Drummond, em um poema antigo dele que chama “Mundo Grande”. Quem quiser depois vá lá nas Obras Completas e folheia. É um poema muito bonito que termina com a seguinte frase: “Ó vida futura, nós a construiremos”. É isso que estamos fazendo em Minas Gerais, construindo a vida futura. Que seja assim, bom final de tarde e bom final de semana para todos vocês.

Obrigado.