Pronunciamento do governador Fernando Pimentel durante solenidade de abertura do Fóruns Regionais de Governo – Território Triângulo Norte

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Queridos amigos e amigas,

Eu quero compartilhar dois sentimentos com vocês aqui hoje. Primeiro, o sentimento muito forte e autêntico de alegria. Alegria por estar aqui no Triângulo Mineiro, especificamente no Triangulo Norte, que é uma novidade nesse modelo que o nosso governo criou de divisão do estado, mas que foi uma feliz ideia das secretarias encarregadas. O Triângulo, na verdade, não é um só. Se a gente olhar as características geográficas, culturais, históricas, você tem claramente dois territórios: um ao norte e outro ao sul. E nós fizemos, claramente, essa divisão. Por isso, hoje estou muito feliz em poder estar aqui com todo o governo estadual, mostrando nosso carinho, nosso respeito, dedicação, nosso compromisso com toda Minas Gerais. Mas toda Minas Gerais não existe. Existem as muitas Minas das quais nos falava Guimarães Rosa nos seus livros. Então, essa é uma das muitas Minas.

Então, nós estamos aqui fazendo aquilo que procuramos fazer desde o primeiro dia: ouvindo as pessoas. Ouvindo o mineiro e a mineira através das suas lideranças políticas, empresariais, estudantis, de trabalhadores, de religiosos, enfim, os vereadores, prefeitos, todos aqueles que compõem a sociedade de Minas Gerais. O governo tem de chegar perto das pessoas, tem de estar próximo, ao alcance da mão. É por isso que eu faço questão de vir pessoalmente e trazer meus secretários comigo, para que vocês vejam que não é só uma coisa simbólica. É efetivo, é um modelo de governo que quer estar perto, que estar próximo, ouvir as pessoas, e governar fazendo aquilo que as pessoas querem que a gente faça.

Eu vou dar um exemplo aqui para vocês verem que não é só simbolismo. Eu estava ali dentro na hora que eu cheguei, começaram a chamar as pessoas que iam para o palco e aí me procurou o prefeito de Serra de Salitre, o Joca, que já é conhecido nosso. Aliás, eu tenho orgulho de ser, não vou dizer amigo, seria exagero, mas companheiro, fraterno companheiro de todos os prefeitos de Minas Gerais. É obrigação do governador estar muito perto dos municípios. Então, o Joca me procurou e me contou o seguinte: que em Serra do Salitre ele está com um problema grave, que é a necessidade de trocar a subestação de energia elétrica da Cemig, aumentar a capacidade dela. Ele está com indústria querendo se instalar na cidade, mas não consegue, porque não tem energia elétrica suficiente para atender à demanda dessa empresa. E que, se nós trocássemos essa subestação, não só essa indústria se instala, como tem outros pedidos semelhantes. Pedido como esse tem vários na fila. Porque aí eu tenho que contar um pouquinho a história da Cemig para vocês. Está aqui o Bernardo Salomão (presidente da Cemig), a quem chamei prontamente, já passei a reivindicação para ele, e ele já vai cuidar de atender para destravar um problema que pode ser pequeno visto de longe, lá de Belo Horizonte, mas que daqui de perto é um problema grande. Vai ajudar muito o município, vai criar emprego, vai criar renda, vai gerar desenvolvimento econômico. Nós temos que atender. A Cemig, nos governos que nos antecederam, era uma empresa que fazia uma bela propaganda, todo mundo via na televisão: a melhor energia do Brasil. Tem ações na bolsa de valores de Nova York, portanto, muito querida pelos acionistas, mas passou pelo menos 12 anos, eu acho que mais, talvez 16, sem fazer nenhum investimento na própria companhia, na própria empresa. Todo resultado financeiro operacional da companhia era distribuído para os acionistas. É muito bom até para o Governo do Estado, que também é acionista. Aliás, é o maior acionista. Mas, e a população? A empresa tem de prestar serviço de qualidade. Ela não é só para gerar lucro e encher o cofre dos bancos, encher o bolso do acionista lá de Nova York ou dos empresários que são rentistas ou acionistas aqui do Brasil. É justo que ela tenha lucro. Tem de ter, é uma empresa, tem de ter lucro. Mas ela tem de produzir, também, serviços de boa qualidade e, para isso, ela tem de investir internamente, ela tem de capacitar os seus funcionários, ela tem de comprar subestações mais modernas para colocar nos municípios que precisam, e isso ela não estava fazendo. Começou a fazer agora, de dois anos para cá. E está aqui o presidente da Cemig, que está liderando esse grande esforço de recuperar o papel da nossa companhia elétrica, como uma boa empresa privada, mas também como uma boa prestadora de serviços públicos para Minas Gerais.

É por isso que, quando vêm essas propostas de Brasília, chegam para nós dizendo assim: o Estado está mal, tem déficit, precisa resolver o déficit, precisa equilibrar suas contas. O governo federal oferece ajuda, mas em troca quer que o Estado privatize as empresas estatais. Nós não vamos fazer isso, não vamos fazer isso. Essas propostas, amigos, podem servir a outros interesses, não ao interesse do povo de Minas Gerais. E é a mesma coisa com a Copasa, com a Codemig, com a Cohab, outras empresas que nós temos e que, bem ou mal, nós temos de recuperar para prestar serviços ao povo de Minas Gerais e, prestando bons serviços, ter lucro e, aí sim, distribuir o lucro entre seus acionistas. Mas não inverter, primeiro o lucro e depois o serviço. Aí não. Isso está errado. E nós não vamos embarcar nessa canoa furada.

Então, essa é uma mudança grande, eu estou aproveitando esse pequeno ensejo que eu tenho aqui hoje para conversar com vocês, para dizer que o Governo de Minas, nesses dois anos, tem feito todo o esforço para enfrentar essa crise, que é a maior crise da história do Brasil.

Nunca nosso país enfrentou uma crise econômica, política, institucional tão grave, tão profunda, tão extensa, mas se nós olharmos no entorno, e não é porque sou governador, eu vou falar isso como cidadão mineiro: se nós olharmos no entorno, Minas Gerais está se saindo muito melhor que a média dos estados, e por quê? Porque nós aqui estamos conseguindo criar um ambiente de harmonia, de serenidade, um ambiente de coesão em torno do interesse do povo mineiro. Com a Assembleia Legislativa, com o Tribunal de Justiça, com o Tribunal de Contas, com o Ministério Público. Nós não podemos estar brigando entre nós, senão vai piorar as coisas. A crise vai se aprofundar. Nós temos procurado ter um diálogo franco e aberto com os prefeitos, deputados, com lideranças empresariais e de trabalhadores, e por isso esse modelo de Fóruns Regionais é tão importante.

Nós começamos em 2015, fizemos a primeira rodada, se estendeu até o início de 2016. O ano passado foi o ano das entregas, de fazer cumprir os compromissos que os Fóruns escolheram nas suas reuniões, e agora nós estamos fazendo uma segunda rodada, que é uma prestação de contas, mas é também o recolhimento de novas reivindicações, novas propostas. As reivindicações não têm, necessariamente, de que sair apenas de dentro das reuniões que se fazem lá nos gabinetes de Belo Horizonte. Essas são importantes também, mas não é assim que a maioria das pessoas tem acesso ao governo do Estado. A maioria das pessoas tem acesso quando você vai à região, quando eles vêm numa assembleia como essa, quando eles fazem valer a sua voz, por exemplo, quando gritam uma palavra de ordem que é muito justa. Isso faz parte da democracia e faz parte da construção do Estado mais justo, mais solidário, mais fraterno, que é o que nós queremos. Então, ter esse modelo, essa capacidade de chegar perto das pessoas e ouvir, parece pouca coisa, mas não é não. É isso que está fazendo Minas Gerais não sofrer o que outros estados, até mais fortes do que nós, estão sofrendo hoje. Vão ao Rio de Janeiro e vejam o colapso dos serviços públicos daquele Estado – o que nos entristece, já que nós todos gostamos do Rio e queremos ver o Rio bem, mas está muito mal.

No Espírito Santo o que aconteceu todo mundo viu, no Rio Grande do Sul o que está acontecendo todo mundo está sabendo, então nós estamos fazendo um enorme sacrifício, mas estamos conseguindo pagar a folha com dificuldade, em três parcelas, mas estamos pagando, estamos conseguindo honrar os repasses para os municípios - às vezes o repassa atrasa. É justo que o prefeito reclame, mas nós não temos como fazer dinheiro, não cai do céu, então às vezes atrasa um pouquinho, mas estamos cumprindo. Estamos ouvindo as pessoas. Por isso é tão importante mantermos, preservarmos e valorizarmos essa atividade que hoje estamos fazendo com muita alegria aqui em Ituiutaba.

Agora eu quero encerrar compartilhando um outro sentimento com vocês. O sentimento muito grande, muito forte de esperança, que é o que eu acho que às vezes falta aí a uma parte da sociedade brasileira que, quem sabe, assiste demais noticiário de televisão e não está olhando para o Brasil real. Hoje, aqui, eu estou vendo o rosto do Brasil real. O rosto de cada um e de cada uma que está aqui é, para mim, o rosto da Minas Gerais de verdade, do Brasil real, o Brasil que trabalha, o Brasil que acorda cedo e vai trabalhar. O Brasil que nós todos juntos somos maiores do que qualquer crise, qualquer ameaça à democracia e a qualquer conquista do povo brasileiro. Então, juntos, irmanados, coesos, é que nós vamos enfrentar as dificuldades. Eu posso falar de dificuldades e vocês sabem disso, porque eu vou contar para vocês: o que eu tenho enfrentado pessoalmente de dificuldades nesses dois anos e pouco não é para qualquer um, vocês sabem disso.

Ontem mesmo o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou o processo e deu andamento ao processo contra mim, e agora finalmente eu vou ter a oportunidade de me defender. Eu vou poder mostrar as minhas razões e provar que eu sou inocente dessas acusações. Até agora eu não pude fazer isso, agora eu vou poder fazer, com muita serenidade. Nesses dois anos, todos estão acompanhando isso, eu fui perseguido, eu fui acusado, tive a minha privacidade e a da minha família invadida; quebraram o meu sigilo postal, telefônico, quebraram o sigilo bancário, fiscal. Foi tudo devastado. Sabe o que é que acharam contra mim? Nada. Nada. E sabe por quê? Não tem nada para achar. Não tem nada para achar. Eu não tenho conta no exterior, eu não tenho dinheiro escondido, eu não tenho patrimônio oculto. A minha vida é limpa e transparente. Eu tenho enorme tranquilidade para responder adequadamente na Justiça a tudo que disserem contra mim. Mas agora eu estou mais tranquilo ainda, porque o Supremo Tribunal (Federal) ontem garantiu que não haverá afastamento do governador do seu cargo. O povo me elegeu para governar Minas Gerais e eu vou governar do jeito que eu estou fazendo aqui, serenamente, com tranquilidade, com sinceridade, até o último dia deste mandato, se Deus quiser.

Se Ele quiser e nos iluminar, nós vamos seguir nesse caminho. Não temos nenhuma acusação. Nada do que está sendo dito contra mim vai ser provado, porque não tem prova e eu tenho a minha consciência tranquila. Eu só temia uma coisa: que me fizessem deixar o cargo para o qual o povo me elegeu. Isso não vai acontecer.

Então, queridos amigos e amigas, é com a esperança de que, juntos, vamos enfrentar e superar qualquer crise e qualquer dificuldade, que eu quero dizer para vocês: continuemos trabalhando por Minas Gerais. Viva Ituiutaba, viva o Triângulo, viva Minas Gerais, viva o Brasil.